Enfermeira é referência em hanseníase em Alagoas

Anualmente o Ministério da Saúde promove diversas campanhas para alertar à população sobre as mais variadas doenças, que vão desde o lúpus à hepatite. Entre elas está o Janeiro Roxo, que aborda as questões voltadas à hanseníase, e a enfermagem tem um papel fundamental no tratamento da enfermidade.
De acordo com a enfermeira Clodis Tavares, que dedicou 37 anos da sua vida ao estudo da hanseníase, cerca de 70% das ações no tratamento da doença são realizadas por enfermeiros, técnicos ou auxiliares em enfermagem.

“É o enfermeiro quem faz o acompanhamento do tratamento, a avaliação, faz toda a parte da prevenção, e do acompanhamento pós-alta, porque após o tratamento o paciente pode apresentar alguma reação imunológica e precisa ser monitorado. ”, informa.
Clodis acumula diversos estudos sobre a doença, além de ser uma das pioneiras em pesquisas de impacto nacional e foi responsável pela implantação do Movimento de Reintegração das Pessoas Atingidas pela Hanseníase (Morhan) em Alagoas.
O preconceito em torno da doença ainda é muito grande. A hanseníase é uma enfermidade infecciosa e contagiosa não hereditária, que causa manchas esbranquiçadas ou avermelhadas na pele, podendo causar também a alteração (ou a falta) da sensibilidade na pele do paciente.
Ela pode ser transmitida por meio de pessoas doentes multibacilares sem tratamento, por tosses, espirros ou fala. Segundo a DAHW Brasil, 30 mil novos casos da doença são registrados anualmente no país, o que leva o Brasil no ranking mundial ao segundo lugar, perdendo apenas para a Índia. No Brasil, seis estados são considerados hiperendemicos: Mato Grosso, Tocantins, Maranhão, Pernambuco, Piaui e Pará.
“O preconceito é justamente a falta de conhecimento. O Janeiro Roxo é justamente isso, uma ação para acabarmos com a hanseníase através do conhecimento e do amor”, relata Clódis.
Morhan – O Movimento de Reintegração das Pessoas Atingidas pela Hanseníase é uma entidade sem fins lucrativos, fundada em junho de 1981, e que concentra suas atividades para a eliminação da doença, por meio da conscientização e foco na construção de políticas públicas eficazes na prevenção, tratamento, diagnóstico e reabilitação das pessoas atingidas pela doença.
“A gente trouxe o Morhan para o estado 1987, quando eu conheci o movimento fiquei encantada. Trazer para Alagoas foi uma experiência muito importante, o coordenador estadual da época do Morhan em Sergipe participou da implantação, tivemos assembleias com mais de 100 pessoas. À época foi uma ação muito atuante”, explica a enfermeira.
Clodis relata ainda que precisou sair do estado e, ao retornar, descobriu que o movimento havia acabado. “A grande dificuldade foi empoderar as pessoas atingidas pela hanseníase para gerir o Morhan. Atualmente a coordenadora e a vice-coordenadora em Maceió são ex-pacientes, que são militantes da causa”.

Fonte: al.corens